Glossário Nômade

Das palavras
Uso as palavras para compor meus silêncios
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem…
(Manoel de Barros, Memórias Inventadas:a infância)

A

Alisamentos- “[…] o espaço é constantemente estriado sob a coação de forças que nele exercem; mas também como ele desenvolve outras forças e secreta novos espaços lisos através da estriagem. […] os espaços lisos por isso não são liberados. Mas é neles que a luta muda, se desloca, inventa novos andamentos […] (Deleuze e Guattari em Mil Platôs, 2008, p. 214)

Agenciar – ” […] remete a um processo de criação […] Trata-se de agir tomando os meios como instrumentos que são por eles mesmos a materialidade e a possibilidade de agenciar ” (Sousa em Pesquisar na diferença-um abcedário, 2012, Pp. 29 e 30)

“[…] incitação ao estranhamento pela colocação em evidência da diferença na forma do conteúdo e na forma da expressão. agenciar acaba por consistir no ato de renúncia ao já sabido e de entrega ao estranhamento em si, em termos do agenciamento de enunciação que desarranja modos estabelecidos de dizer e fazer e, em termos de agenciamento maquínico (Deleuze, 1995) de desejo, que cria maneiras outras de ser ssujeito desbancando regimes cristalizados de subjetividades. ” (Sousa em Pesquisar na diferença-um abcedário, 2012, Pp. 30-31)

“Escrever é agenciar, ato que comporta tanto o indivíduo que escreve quanto a língua que ele mobiliza para escrever. O que se cria neste agenciamento maquínico advindo da acoplagem das mãos escrevendo com a língua posta em movimento, é uma subjetividade e uma língua outra.” (Sousa em Pesquisar na diferença-um abcedário, 2012, Pp. 30)

Aprendizagem – Aprender vem a ser tão-somente o intermédio entre não-saber e saber, a passagem viva de um ao outro. Pode-se dizer que aprender, afinal de contas, é uma tarefa infinita […]. (Deleuze em Diferença e Repetição,  2006, p.271)

A aprendizagem não se faz na relação da representação com a ação (como reprodução do Mesmo), mas na relação do signo com a resposta (como encontro com o Outro). O signo compreende a heterogeneidade, pelo menos de três maneiras: em primeiro lugar, no objeto que o emite ou que é seu portador e que apresenta necessariamente uma diferença de nível, como duas disparatadas ordens de grandeza ou de realidade entre as quais o signo fulgura; por outro lado, em si mesmo, porque o signo envolve um outro “objeto” nos limites do objeto portador e encarna uma potência da natureza ou do espírito (Ideia); finalmente, na resposta que ele solicita, não havendo “semelhança” entre o movimento da resposta e o do signo. (Deleuze em Diferença e Repetição, p. 48).

B

C

Campo do poder – “O campo do poder (que não deve ser confundido com  o campo político) não é um campo como os outros: ele é o espaço de relações de força entre os diferentes tipos de capital ou, mais precisamente, entre os agentes suficientemente providos de um dos diferentes tipos de capital para poderem dominar o campo correspondente a cujas lutas se intensificam sempre que o valor relativo dos diferentes tipos de capital é posto em questão (por exemplo, a “taxa de câmbio” entre o capital cultural e o capital econômico); isto é, especialmente quando os equilíbrios estabelecidos no interior do campo, entre instâncias especificamente encarregadas da reprodução do campo do poder […], são ameaçados. (Bourdieu em Razões Práticas-sobre a teoria da ação, 2008, Pp. 52 )

Colonialidade – “A colonialidade é um dos elementos constitutivos e específicos do padrão mundial do poder capitalista. sustenta-se na imposição de uma clarificação racial/étnica da população do mundo como pedra angular do referido padrão de poder e opera em cada um dos planos, meio e dimensões materiais e subjetivos, da existência social quotidiana e da escala societal.” (Quijano em Epistemologias do Sul, 2010, p. 84)

Colonialismo – “[…] uma estrutura de dominação/exploração onde o controle da autoridade política, dos recursos de produção e do trabalho de uma populaças determinada domina outra de diferente identidade e cujas sedes centrais estão, além disso, localizadas noutra jurisdição territorial.” (Quijano em Epistemologias do Sul, 2010, p. 84)

Conhecimento liminar ou Conhecimento fronteiriço –  “[…] usarei a palavra gnosiologia para indicar um discurso sobre a gnosis e tomarei, no sentido do conhecimento geral, incluindo doxa e episteme. A gnosis fronteiriça. como conhecimento em uma perspectiva subalterna, é o conhecimento concebido desde as margens externas do sistema mundial colonial/moderno; gnosiologia marginal, enquanto discurso sobre o saber colonial é concebido na interseção conflitiva do conhecimento produzido desde a perspectiva dos colonialismos modernos (retórica, filosofia, ciência) ou de conhecimento produzido na perspectiva das modernidades coloniais na Ásia, África, nas américas e no Caribe.” (Mignolo em Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar , 2003, p. 33)

Contextualizar – “Contextualizar fala da operação de visibilizar as relações que uma entidade tem com o seu entorno, ou seja, evidenciar as ocorrências espaço-temporais que afligiram e afligem um determinado objeto ou sujeito. […] contexto: a soma do que há para além do sujeito com o que há no sujeito para além do presente.” (Costa em  Pesquisar na diferença-um abecedário, 2012 , Pp. 65-66)

Cultura – Mas a cultura é o movimento de aprender, a aventura do involuntário, encadeando uma sensibilidade, uma memória, depois um pensamento, com todos as violências e crueldades necessárias, dizia Nietzsche, justamente para “adestrar um povo de pensadores”, “adestrar o espírito”. (Deleuze em Diferença e Repetição,  2006, p.270)

D

Dilema – “[…] um dilema se configura através da emergência de situações bipolares ou multipolares que se apresentam a um educador, muitas vezes com um considerável grau de opacidade. São, em realidade, constructos descritivos e estão prçoximo da realidade sem que estejam necessáriamente atrelados a grandes esquemas conceituais” (Macedo em Currículo, diversidade e equidade-luzes para uma educação intercrítica, 2007,  p.87)

Devir- “[…] à medida que alguém se transforma, aquilo em que ele se transforma muda tanto quanto ele próprio. Os devires não são fenômenos de imitação, nem de assimilação, mas de dupla captura, de evolução não paralela, de núpcias entre dois reinos.” (Parnet, 1997, p. 08)

Deslocamento- “[…] a noção de deslocamento no âmbito das ciências sociais e, especificamente, na órbita dos estudos da cultura, significa remeter a diferentes formas de mobilidade física, espiritual, lingüística; a diversas práticas de emigração, exílio, diáspora, êxodos, nomadismo, circulações humanas; é pensar em translado e em trânsitos de todo tipo, em políticas do movimento e em economias da viagem. […]. Ou seja, o conceito abarca um amplo universo de significados, sendo a remissão ao lugar, ou aos neologismos derivados da desconstrução da noção de lugar […]” (González em Dicionário de mobilidades culturais: percursos americanos, 2010, p. 109)

Desterritorialização – “A função da desterritorialização: D é o movimento pelo qual ‘se’ abandona o território. É a operação da linha de fuga.” (Deleuze e Guatari, em Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, 2008, p. 224 )

“[…] não há território sem um vetor de saída do território, e não há saída do território sem que haja, ao mesmo tempo, um esforço para se reterritorializar alhures, em outra coisa.”(Deleuze e Guatari, em A dobra, Leibniz e o barroco, 2000, p. 11 )

E

Espaço- “A noção de espaço contém, em si, o princípio de uma apreensão relacional do mundo social: ela afirma, de fato, que toda a ‘realidade’ que designa reside na exterioridade mútua dos elementos que a compõem. Os seres aparentes, diretamente visíveis, quer se trate de indivíduos quer de grupos, existem e subsistem na e pela diferença, isto é, enquanto ocupam posições relativas em um espaço de relações que invisível e sempre dificil de expressar empiricamente, é a realidade mais real (ens realissinim, como dizia a escolástica) e o princípio real dos comportamentos dos indivíduos e dos grupos.’ (Bourdieu em Razões Práticas-sobre a teoria da ação, 2008, Pp. 48-49 )

Espaço Nômade – “ […] o espaço sedentário é estriado, por muros, cercados e caminhos entre os cercados, enquanto o espaço nômade é liso, marcado apenas por traços que se apagam e se deslocam com o trajeto (…) O nômade se distribui num espaço liso, ele ocupa, habita, mantém esse espaço, e aí reside seu princípio territorial”.  (Deleuze e Guatari em Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, 2008, p. 52 )

Educação – “Porque entre ao existencial e o social toda educação é uma busca permanente de lugar para afirmação do humano, apesar das formas instituidas de negação do humano no seio de uma humanidade que celebra seus progressos diante dos cenários com os quais compartilhamos as formas mais restritas e mais ampliadas de fazer educação, tendo o mundo e a contemporaneidade como terra firme e abismo da nossa própria humana-idade na história do presente”  (Macedo em Currículo, diversidade e equidade-luzes para uma educação intercrítica, 2007,  Pp. 14-15)

“[…] o papel da educação é soberano, tanto para a elaboração de estratégias apropriadas e adequadas para mudar as condições objetivas de reprodução, como para a automudança consciente dos indivíduos chamados a concretizar a criação de uma ordem social metabólica radicalmente diferente.”(Mészaros em A educação para além do capital, 2005, p.65)

“A educação é o alargamento do horizonte intelectual que permite situar os atos e ritos, o lugar e a encenação do ensinar e do aprender na dinâmica das experiências vividas e na totalidade da aprendizagem da humanidade pelos homens.” (Marques em A formação do profissional da educação, 2006,  p. 70)

Emancipação – “A emancipação é tão relacional como o poder contra o qual se insurge. Não há emancipação em si, mas antes relações emancipatórias […] As relações emancipatórias desenvolvem-se, portanto no interior das relações de poder, não como resultado automático de uma qualquer contradição essencial, mas como resultados criados e criativos de contradições também criadas e criativas” (Santos em Fim do século e Globalização, 1997, p. 269)

Escola – A escola parece ainda não saber furar, limar o muro. As escolas gostam demais das raizes, das árvores, do cadastro, dos pontos de arborescência, das propriedades. Vejam o que é o estruturalismo: um sistema de pontos e de posições que opera por grandes cortes ditos significantes, ao invés de proceder por crescimentos e estalos, e colmata as linhas de fuga, ao invés de segui-las, traçá-las, prolongá-las em um campo social. (Deleuze e Parnet em Diálogos, 1998, p. 50)

Estrias – “O espaço liso e o espaço estriado, – o espaço nômade e o espaço sedentário- o espaço onde se desenvolve a máquina de guerra e o espaço instituído pelo aparelho do estado, – não são da mesma natureza (…) o espaço liso não para de ser traduzido, transvertido num espaço estriado; o espaço estriado é constantemente revertido, devolvido a um espaço liso.(Deleuze e Guatari, em Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia    , 2008, p. 179-180)

Experiência – “Experiências quebram a rotina daquilo que é auto-evidente, constituindo uma fonte de contingências. Elas atravessam expectativas, correm contra os modos costumeiros de percepção, desencadeiam surpresas, trazem coisas novas â consciência. Experiências são sempre novas experiências e constituem um contrapeso à confiança” (Habermas em  Para a reconstrução do materialismo histórico, 1990, p. 85)

“Experimente, mas é preciso muita prudência para experimentar. Vivemos em um mundo desagradável, onde não apenas as pessoas, mas os poderes estabelecidos, têm interesse em nos comunicar afectos tristes (…). Os poderes estabelecidos têm necessidade de nossas tristezas para fazer de nós escravos. O tirano, o padre, os tomadores de almas, têm necessidade de nos persuadir de que a vida é dura e pesada (…). A questão é a seguinte: que pode um corpo? De que afectos você é capaz?” (Deleuze e Parnet,  Diálogos, 1998, p. 75)

F

G

H

I

Identidade / Singularidade – “Identidade e singularidade são duas coisas completamente diferentes. A singularidade é um conceito existencial; já a identidade é um conceito de referenciação, de circunscrição da realidade a quadros de referência, quadros esses que podem ser imaginários. Essa referenciação vai desembocar tanto no que os freudianos chamam de identificação, quanto nos procedimentos policiais, no sentido da identificação do indivíduo – sua carteira, de identidade, sua impressão digital, etc. Em outras palavras, a identidade é aquilo que faz passar a singularidade de diferentes maneiras de existir por um só e mesmo quadro de referência identificável (Guatarri e Rolnik em Micropolítica- Cartografias do desejo, 1993, p.68) “

Inteligência Nômade – “[…] próximo do significado da construção do mito de Métis (na mitologia graga, Métis é a primeira esposa de Zeus, quem o aconselhava e esclarecia sobre a complexa e opaca organização do poder divino), no sentido de uma arte de se mover numa realidade social e cultural desconhecida. Leve e confiante, esta inteligência induz a uma intencionalidade que aceita viver a imersão cultural. É assim que uma Inteligência Nômade aceita a imprevisibilidade da vida, se infiltra nas tortuosidades e nos desvios do desconhecido. Não espera controlar compulsivamente as coisas, mas deseja muito as viver, compreender e estar lá. É, portanto, um pensamento que aceita navegar impulsionado e retido por um imprevisível de origem social e cultural ou mesmo natural. impondo às vezes uma circunavegação do espírito e do corpo jamais dado a priori.  Desenvolve, portanto, uma ‘escuta sensível’ conforme Barbier (1997), favorecendo uma justa compreensão de um equilíbrio nas trocas de valência intercultural. […] É a abertura realizada por uma mediação intercultural para uma alteração intercultural. É a experiência humana atravessada pela mobilidade humana.” (Macedo em Currículo, diversidade e equidade-luzes para uma educação intercrítica, 2007,  p.86)

J

K

L

Linhas de fuga – “Esses vetores de desorganização ou de ‘desterritorialização’ são precisamente designados como linhas de fuga. Compreendemos agora a dupla igualdade que constitui essa expressão complexa. Fugir é entendido nos dois sentidos da palavra: perder sua estanquidade ou sua clausura; esquivar, escapar. Se fugir é fazer fugir, é porque a fuga não consiste em sair da situação para ir embora, mudar de vida, evadir- se pelo sonho ou ainda transformar a situação (este último caso é mais complexo, pois fazer a situação fugir implica obrigatoriamente uma redistribuição dos possíveis que desemboca – salvo repressão obtusa – numa transformação ao menos parcial, perfeitamente improgramável, ligada à imprevisível criação de novos espaços-tempos, de agenciamentos institucionais inéditos.”( Zourabichvili em O vocabulário de Deleuze, 2004, p.30 )

M

Maioria / Minoria – “Maioria e minoria não se opõem apenas de uma maneira quantitativa. Maioria implica uma constante, de expressão ou de conteúdo, como um metro padrão em relação ao qual ela é avaliada. Suponhamos que a constante ou metro seja [homem-branco- masculino-adulto-habitante das cidades-falante de uma língua de padrão europeu-heterossexual] qualquer. É evidente que o “o homem” tem maioria, mesmo se é menos numeroso que os mosquitos, as crianças, as mulheres, os negros, os camponeses, os homossexuais…etc. A maioria supõe um estado de poder, e não o contrário (Deleuze e Guatarri em Mil platôs – capitalismo e esquizofrenia/vol.2, 1995, p. 52).

Mapa – […] aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente. Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar−se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social. Pode−se desenhá−lo numa parede, concebê−lo como obra de arte, construí−lo como uma ação política ou como uma meditação. (Deleuze e Guattari, em Mil platôs, 1995, p. 22)

Método – O método é o meio de saber quem regula a colaboração de todas as faculdades; além disso ele é a manifestação de um senso comum ou a realização de uma Cogitatio natura pressupondo uma boa vontade como uma “decisão premeditada” do pensador. (Deleuze em Diferença e Repetição,  2006, p.270)

Mobilidade – “[…] as mobilidade são simultaneamente produtos e elementos de produção de relações de poder. Do mesmo modo que as abordagens mais sedentaristas do mundo definem o poder em termos de território, fronteiras, inclusões e exclusões um foco móvel deve manter um olhar constante sobre quais as mobilidades que são encorajadas e aceitáveis e quais as que são desencorajadas e inaceitáveis.” (Simões e Carmo em A produção das mobilidades-redes, espacialidades e trajectos ,2009, p.37)

Migrância – “A migrância não diz respeito apenas à travessia física de territórios. A esta dimensão exterior da migrância como deslocamento físico, sobrepõe-se a dimensão interior, ontológica e simbólica da migrância, o deslocamento do ‘Sentido do Ser’ (du Sens de l’Être).” (Bernd em Dicionário das mobilidades culturais: percursos americanos   , 2010, p.192)

Molar – “[…] o molar delimita os nós, os laços, a arborescência, o molecular une-os numa desunião criativa e instauradora, inclusive, de possíveis alianças. Atravessado (molar) e atravessador (molecular) celebram núpcias com intensidades singulares e diferenciadas, num movimento permanente de contaminação, dissidência e resistência, sob o signo de linhas de fuga e agenciamentos maquínicos, que conduzem um futuro sem devir e estruturas arborescentes para devires múltiplos, multiplicadosres.”(Lins em Mangue’s school ou por uma pedagogia rizomática, 2005, p.1232)

N

O

P

Pedagogia Rizomática – “Uma pedagogia rizomática assemelha-se, ao mesmo tempo, a um prolongamento de nosso cérebro, a um desenvolvimento eclodido de nossa consciência, a uma consciência fluida que se estende em todas as direções, ou em nenhuma, embaralhando os códigos unitários e a linearidade que empobrecem a imaginação e afugentam os devires. Consciência, pois, que se nutre de outras consciências produtoras de devires inconscientes, engendrando uma desterritorialização e abrindo- se ao novo, ao impensável do pensamento, num espaço de criação em que os alunos se tornam os próprios rizomas.” (Lins em Mangue’s school ou por uma pedagogia rizomática, 2005, p.1244)

Pensar – “Pensar é sempre seguir a linha do vôo da bruxa, é despositivar as instituições, percorrer infinitamente a experiência humana em busca de uma superfície de contato na qual se trama e se enreda o pensamento no impensado.” (Lins em Mangue’s school ou por uma pedagogia rizomática, 2005, p.1249)

Platô – “Um platô esta sempre no meio, nem início nem fim. Um rizoma é feito de platôs […] Chamamos ‘platô’ toda multiplicidade conectável com outras hastes subterrâneas superficiais de maneira que formem e estendam um rizoma.” (Deleuze e Guatari, em Mil platôs, 2000, p. 11 )

Poder – “[…]  à escala societal o poder é o espaço e uma malha de relações sociais de exploração/dominação/conflito articuladas, basicamente, em função e em torno da disputa pelo controle dos seguintes meios de existência social: 1) o trabalho e os seus produtos; 2) dependente do anterior, a ‘natureza’ e os seus recursos de produção; 3) o sexo , os seus produtos e a produção da espécie; 4)  subjetividade e os sues produtos, materiais e intersubjetivos, incluindo o conhecimento; 5) a autoridade e os seus instrumentos, de coerção em particular, para assegurar a reprodução desse padrão de relações e regular as suas mudanças.” (Quijano em Epistemologias do Sul, 2010, p. 88)

Q

R

Razão – “Por ‘Razão’ entendemos racionalidade de um grupo, construida a partir de suas trajetórias históricas, de seus condicionamentos sociais. em outros termos, Razão (a partir de agora sem aspas) significará, neste texto, visão de mundo, em geral adstrita a uma classe social.” (Romão em Paulo Freire e Amílcar Cabral-a descolonização das mentes, 2012, p. 16)

“[…] uma Razão se torna Revolucionária quando ela assume um compromisso incondicional com a democracia cognitiva, não apenas no sentido da socialização dos conhecimentos elaborados e acumulados pela humanidade, mas, também, no do reconhecimento de todos os conhecimentos desenvolvidos por todas as formações e por todos os grupos sociais, principalmente, pelas formações e pelos grupos oprimidos.”(Romão em Paulo Freire e Amílcar Cabral-a descolonização das mentes, 2012, p. 23)

Revolução – “Por revolução, entendemos a transformação estrutural de uma determinada realidade ou concepção, apresentado algumas características específicas, sem as quais ela se confunde com a reforma, com mudanças episódicas ou conjunturais, sem alterar, ou melhor, sem substituir os fundamentos de uma determinada sociedade ou pensamento que sobre ela foi elaborado e instituido.” (Romão em Paulo Freire e Amílcar Cabral-a descolonização das mentes, 2012, p. 20)

Rizoma -” O Rizoma é a horizontalidade que multiplica as relações e os intercâmbios que dele se originam. a vida assim compreendida é um continuo fluxo e refluxo, potência de interação e produção de sentidos.” (Lins em Mangue’s school ou por uma pedagogia rizomática, 2005, p.1232)

Oposto à árvore, o rizoma não é objeto de reprodução: nem reprodução exter- na como árvore-imagem, nem reprodução interna como a estrutura-árvore. O rizoma é uma antigenealogia. É uma memória curta ou uma antimemória. O rizoma procede por variação, expansão, conquista, captura, picada. Oposto ao grafismo, ao desenho ou à fotografia, oposto aos decalques, o rizoma refere-se a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga. (Deleuze e Guattari, Mil platôs, 2000, p. 32-33)

S

Singularidade / Identidade – “Identidade e singularidade são duas coisas completamente diferentes. A singularidade é um conceito existencial; já a identidade é um conceito de referenciação, de circunscrição da realidade a quadros de referência, quadros esses que podem ser imaginários. Essa referenciação vai desembocar tanto no que os freudianos chamam de identificação, quanto nos procedimentos policiais, no sentido da identificação do indivíduo – sua carteira, de identidade, sua impressão digital, etc. Em outras palavras, a identidade é aquilo que faz passar a singularidade de diferentes maneiras de existir por um só e mesmo quadro de referência identificável (Guatarri e Rolnik em Micropolítica- Cartografias do desejo, 1993, p.68) “

Sistema de ensino – “Os sistemas de ensino podem ser caracterizados como uma sequência de níveis diferenciados, hierarquizados do ponto de vista da raridade do conhecimento que oferecem e do valor social dos títulos que conferem. Cada um dos níveis do sistema se subdivide em conjuntos de ramos, cursos e instituições de ensino, igualmente diferenciados e hierarquizados. Os níveis mais baixos do sistema de ensino, nos quais é oferecida uma educação básica, são normalmente menos diferenciados internamente. Os níveis subsequentes tendem a apresentar um grau cada vez maior de ramificações internas. Esses ramos do sistema de ensino, além de distintos do ponto de vista da natureza da educação oferecida em cada um deles, encontram-se, de modo geral, hierarquizados em termos do grau de prestigio imediato que conferem aos alunos que os seguem e do retorno social e econômico que tendem a propiciar a esses alunos. É possível falar ainda, dentro de um mesmo  ramo do sistema de ensino, de diferenças e hierarquias mais sutis que distinguem e classificam os vários cursos e as diversas instituições de ensino.” (Nogueira e Forte, em A importância dos estudos sobre trajetórias escolares na Sociologia da Educação Contemporânea, 2004, p.59)

T

Territorialização – “O valor do território é existencial: ele circunscreve, para cada um, o campo do familiar e do vinculante, marca as distâncias em relação a outrem e protege do caos. O investimento íntimo do espaço e do tempo implica essa delimitação, inseparavelmente material (consistência de um “agenciamento”) e afetiva (fronteiras problemáticas de minha “potência”). O traçado territorial distribui um fora e um dentro, ora passivamente percebido como o contorno intocável da experiência (pontos de angústia, de vergonha, de inibição), ora perseguido ativamente como sua linha de fuga, portanto como zona de experiência. ” ( Zourabichvili em O vocabulário de Deleuze, 2004, p. 22)

Território – “[…] chão da população, isto é, sua identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi.” (Santos em Território e Sociedade, 2000, p. 96)

 “O território pode se desterritorializar, isto é, engajar-se em linhas de fuga e até sair de seu curso e se destruir. A espécie humana está mergulhada num imenso movimento de desterritorialização, no sentido de que seus territórios “originais” se desfazem ininterruptamente com a divisão social do trabalho, com a ação dos deuses universais que ultrapassam os quadros da tribo e da etnia, com os sistemas maquínicos que a levam a atravessar, cada vez mais rapidamente, as estratificações materiais e mentais. A reterritorialização consistirá numa tentativa de recomposição de um território engajado num processo desterritorializante .(Guatarri e Rolnik em Micropolítica- Cartografias do desejo, 1993, p.323)

” O território não é apenas o espaço, o lugar físico,abstrato, o território é o espaço marcado pelo humano. O corpo é território, a casa é território, são lugares simbólicos do espaço ocupado pelo humano.” (Muniz Sodré em  Cultura, diversidade cultural e educação. Retirado de Trindade e Santos. Multiculturalismo – mil e uma faces da escola. Rio de  2002, Pp. 22-27)

Território de Identidade – “O território é conceituado como um espaço físico, geograficamente definido, geralmente contínuo, caracterizado por critérios multidimensionais, tais como o ambiente, a economia, a sociedade, a cultura, a política e as instituições, e uma população com grupos sociais relativamente distintos, que se relacionam interna e externamente por meio de processos específicos, onde se pode distinguir um ou mais elementos que indicam identidade, coesão social, cultural e territorial.” (SEPLAN-Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia)

Trajetória – “[…] relação permanente e recíproca entre biografia e contexto, sendo a mudança decorrente precisamente da soma infinita destas inter-relações.” (Levi em Usos e abusos da História Oral, 1996, p. 180).

Trajetória Escolar – “A noção de trajetória escolar diz respeito aos percursos diferenciados que os indivíduos ou grupos de indivíduos realizam no interior dos sistemas de ensino.” (Nogueira e Forte, em A importância dos estudos sobre trajetórias escolares na Sociologia da Educação Contemporânea, 2004, p.59)

U

V

X

Y

Z

Fim

Key Migration Terms from International Organization for Migration

2 respostas para Glossário Nômade

  1. Pingback: Rizoma Olívio Jekupé – sobre linhas de fuga indígena | Nomades do Saber. Um estudo sobre migração estudantil.

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